domingo, 24 de abril de 2011

- Tu me impediria se eu entrasse aqui?
- Maybe
- O que eu estou pensando agora?
- Não faço idéia.
Fico feliz sempre quando percebo que aquele muro entre nós está destruído.
A linha entre querer e apenas carinho é tão tênue que eu ainda não sei se isso me assusta ou me deixa feliz.
A verdade é que eu simplesmente não sei fugir disso como antes. Não, a verdade é que eu simplesmente não quero fugir disso agora. Percebe o quanto nossas conversas são interrogativas? Porque a verdade assusta, e você sabe.
Eu sabia exatamente o que você estava pensando, aliás, eu dificilmente erro quando tento adivinhar o que você tá pensando, e sabe o pior? Você sabia que em hipótese alguma eu te impediria.
Com o carro estacionado embaixo daquela árvore eu te observava tomando coragem para fazer o que era inevitável. Olhei o mar e quando eu pensei em hesitar você já estava na minha frente tornando real o inevitável.
- Por que tu fez isso?
- Não sei, me dá três segundos pra eu pensar? – Falou encostando a cabeça no volante.
- Sim.
- Cara, passou mais de três segundos e eu não sei o que eu to fazendo, descul..
- Tá, shiiu.  Três horas, preciso ir pra casa.
- Agora? Por que?
- Já te disse quantas vezes que as coisas acontecem quando eu quero e acabam exatamente do mesmo jeito?
- Tá, vou te levar pra casa.
E eu te farei as vontades, direi meias verdades, sempre à meia luz
E te farei vaidoso, supor que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte, não conta até vinte te afasta de mim
Pois já não vales nada és página virada, descartada do meu folhetim.

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