domingo, 24 de abril de 2011

Somos a exceção

“Se amizade entre homem e mulher não existe, só posso acreditar que nós somos a prova de que, para toda regra, há uma exceção. Não há dúvidas de que nossa afinidade é para todas as horas. Você é meu irmão. Pode ser só de consideração, mas é o mais verdadeiro que eu poderia ter. Nós somos a exceção.”

Me lembro da nossa primeira briga, era na sexta série e eu te odiava o suficiente pra te chamar de franguinho. Mal sabia eu, que alguns anos depois teu abraço ia ser pra mim um refúgio. Na sétima e oitava série tenho vagas lembranças da gente, lembro das aulas de inglês que tu sempre era minha dupla, e a gente sempre ganhava os joguinhos que a professora Luciana fazia. Nunca te falei, mas sempre tive inveja da tua inquestionável inteligência no Inglês, mesmo sem nunca ter feito um curso.
Fomos pro ensino médio. AH! O ensino médio. O primeiro ano foi o mais intenso de toda a minha vida. Ia contigo almoçar nas quartas feiras e depois do almoço sempre te via enchendo a cara  pra conseguir suportar as aulas de matemática e química que tínhamos a tarde. Outra coisa que eu nunca te falei: Achei lindo o dia que tu disse que eu morava no teu coração e que tu daria teus braços e pernas pra me ver feliz, tu tava bêbado, obvio. Aliás, tu sempre me deu os melhores conselhos, mesmo quando não estava sóbrio, sabia disso? Eu teria evitado 349 dos sofrimentos que eu tive se eu tivesse apenas te ouvido.
A gente passou por cada coisa naquele colégio, cada briga estúpida. Te meti em cada uma na cada da Thaline (espero que um dia tu me perdoe pelas milhares de cenas deploráveis que eu te fiz ver, é sério).
No segundo ano eu resolvi ir morar no internato e só quando cheguei lá eu percebi a falta que tu me faria. Fiz muitos amigos, mas sabe como é, quando a gente se acostuma com o melhor, não é qualquer coisa que nos agrada. Teus depoimentos pedindo pra que a gente voltasse pra Itajaí eram bem tua cara, fazendo a gente rir um monte e sem demonstrar sentimentalismo nenhum.
Lembro quando decidi que ia embora, e tu pediu pra ir me buscar junto com a minha mãe. Tu sempre esteve comigo no começo e fim das minhas histórias, por mais loucas e perturbadoras que elas fossem, dessa vez não ia ser diferente.
Consigo ouvir a hora de entrar no carro,  o Gui dizendo pra ti cuidar bem de mim enquanto eu morasse por perto de ti e eu lembro de ter pensando alguma resposta pra ele tipo: “como se tu precisasse pedir”
Hoje a gente teve mais uma daquelas conversas sobre roupas, amigos seus, amigos meus, tua namorada, que já te falei, acho lindo o jeito como tu fala dela. Mas, mais uma vez, a gente teve aquela longa e interminável conversa sobre meu mal comportamento perante o tal amor, e eu prometi mais uma vez mudar. Acho um máximo sentir tua tristeza quando tu fala que eu preciso melhorar e que eu preciso muito ser feliz. E sabe, por tudo que tu já fez por mim, eu te devo essa. Não arrancaria meus braços e pernas pra te ver feliz, por que assim nunca mais ia provar aquele abraço amigável que parece querer me proteger de tudo que me faz mal, mas de resto, pode apostar Josés, Zé, Mestre, José Alexandre, eu faria. Pra te ver sorrir.

(Por que foi o aniversário dele quarta passada.)

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